Intifada ou mero ímpeto destrutivo?
Pelas piores razões, a Cidade das luzes anda - por estes dias - mais iluminada.
Não é que os fenómenos de violência urbana em larga escala sejam novidade para uma metrópole histórica como Paris. Mas, desta vez, o sentimento de revolta não vem directamente associado a um movimento político. Parece haver apenas a libertação de uma raiva há muito contida, e não uma intencionalidade político-ideológica subjacente. Em suma, não parece ter sido ultrapassada a fronteira que separa o puro vandalismo da acção directa com intuitos panfletários; que separa a reles barbárie dos ataques dirigidos a atingir um fim; que separa a violência do protesto.
É certo que as acções de violência em curso visam chamar a atenção para um problema, facilmente identificável. Mas falta uma proposta, falta identificar as mudanças pretendidas, falta construir um modelo alternativo. Só assim estas acções poderão vir a adquirir alguma legitimidade - que, neste momento, totalmente lhes escapa.

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