Tuesday, August 30, 2005

A Direita e os ex-Bombistas

A malta de direita exulta com os nomes de Carlos Antunes ou Isabel do Carmo. Não consegue ouvir falar deles sem ficar logo com um imediato frenesim, com um "nervoso miudinho", com um desejo incontrolável de "mandar umas bocas". É mais forte do que eles.

Tão forte que esquecem tudo à volta. Basta aparecer o nome de Carlos Antunes e pronto: nada mais interessa. "Cheira-lhes" a bombista e já não conseguem resistir: há que "cascar" no personagem, com algum distanciamento e até desdém (para não lhe atribuírem demasiada importância), com alguma - suposta - superioridade intelectual, com um inevitável toque de sarcasmo.

Confesso que assisto, com algum gozo, a este fascínio, este delírio interior, esta inquetação com que a Direita - sobretudo a mais conservadora - encara os ex-bombistas. São, segundo eles pensam, uma "aves raras", uns "tarados", uns "marginais"; e, no entanto, provocam neles um misto de curiosidade e de repulsa, uma irresistível incomodidade e uma necessidade instintiva de "ataque". Querem, por um lado, ostracizá-los, esquecê-los, colocá-los à margem; mas, por outro lado, não lhes conseguem ser indiferentes.

E, já agora, talvez O Acidental tenha ficado de tal modo obnubilado com o nome de Carlos Antunes que não tenha reparado no resto, mas: o manifesto de apoio à candidatura de Mário Soares foi também assinado por Eurico Figueiredo, ex-dirigente do PS e Fernando Condesso, ex-dirigente e, salvo erro, ex-líder parlamentar do PSD.

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